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“Six Wives with Lucy Worsley” nova série da BBC estréia com opiniões adversas

lucy

No dia 7 de Dezembro estreou o primeiro dos três episódios da mais nova série sobre as seis esposas de Henrique VIII: “Six Wives with Lucy Worsley”, pelo canal BBC1. Divulgado pela BBC como uma ‘abordagem ambiciosa e inovadora para drama e história’, a série é escrita por Chloe Moss, com comentários contemporâneos da historiadora Lucy. No primeiro episódio, Lucy descreve a paixão do precoce jovem Henrique VIII e sua primeira esposa, Catarina de Aragão, seguindo as suas lutas físicas e emocionais para dar a Henrique o herdeiro que ele tanto necessita para continuar sua dinastia. A historiadora chega a ir para Roma, para ler as cartas de amor que Henrique escreveu para Ana Bolena.

A atriz Paola Bontempi interpreta Catarina de Aragão.

A atriz Paola Bontempi interpreta Catarina de Aragão.

A série, no entanto, recebeu diversas críticas. Joel Golby, escrevendo para o The Guardian, criticou o fato de que o documentário é feito com atores representando os personagens históricos – o que, se pararmos para pensar, é o que aconteceu com praticamente todos os documentários feitos com Henrique VIII e suas seis esposas – mas diferentemente dos outros, Lucy está junto dos atores, vestida como uma simples dama. O artigo de Joel continua com diversas críticas à emoção dada a série, assim como a ‘atuação’ de Lucy.

Antes de estrear, a série já tinha sido alvo da mídia por ter sido a primeira equipe de televisão proibida de filmar no Vaticano: de acordo com o site Telegraph, em Novembro, foi divulgado que o Vaticano se recusou a deixar a BBC gravar a leitura de uma carta de Henrique VIII onde ele fazia alusão a beijar os seios de Ana Bolena. Outras cartas, no entanto, foram  filmadas e farão parte da série.

Uma crítica mais elogiosa foi escrita por Gerard O’Donovan, que contou que desta vez, Catarina não é retratada como uma mulher excessivamente religiosa, mas sim uma rainha firma e popular, uma mulher de grande ambição. Ele também comentou que alguns dos diálogos cortês nas dramatizações beirava o cômico, no entanto, foi possível ver Catarina e Ana Bolena como personalidades fortes e poderosas em seu próprio direito, sem nunca perder de vista as complexidades da Igreja, do Estado e da política Tudor.

Claire Cooper interpreta Ana Bolena.

Claire Cooper interpreta Ana Bolena.

Como observado por Lucy Bannerman, a série também resiste ás interpretações recentes de que Ana Bolena era vítima, mártir total derrubada por políticos, e que não era uma bruxa. Já Lucy Worsley declarou:

“Eu acho que cada geração têm que descobrir as esposas de Henrique VIII por si mesmos. Porque os casamentos de Henrique eram mais do que uma série de histórias de amor; cada um deles tiveram repercussões políticas maciças, que de muitas maneiras nos transformaram no país que somos hoje. Pessoalmente, eu sempre fui mais interessada nas mulheres do que em Henrique, e nesta série nós tentamos olhar para os acontecimentos de sua perspectiva. Já é o tempo delas contarem suas próprias histórias”.

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Jovem belga se veste de diferentes personagens históricos – incluindo Ana Bolena

via Instagram / @anneliesvanoverbeek

via Instagram / @anneliesvanoverbeek

Recentemente, Annelies van Overbeek, uma adolescdente belga, tem se tornado famosa na internet com sua conta no Instagram, onde ela recria diversas personagens femininas da História. Ela conta que isso começou um ano atrás, quando cortou seu cabelo e as pessoas começaram a lhe dizer que parecia com Audrey Hepburn. Depois de se apaixonar por outros personagens históricos, ela começou a tirar diversas fotografias vestida de jovem do período Tudor, georgiano e regência. Segue abaixo algumas de suas fotografias:

Fonte: Refinery29, Diply

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Foto da Semana #296

Harriet Green como Ana Bolena no documentário Inside the Court of Henry VIII em 2015.

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Foto da Semana #295

kate

Kate Holderness como Catarina Parr no documentário Inside the Court of Henry VIII  em 2015.

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Havia um relacionamento entre Jane Grey e Eduardo VI?

Jane Grey e o mendigo

Eduardo, contando agora com nove anos, era um bonito menino, de cabelos louros e sedosos. Não queria ficar noivo de uma criança, preferindo já que teria que escolher uma prima, casar-se com Lady Jane Grey, um ano mais velha que ele, embora bem mais baixa, e que o auxiliava sempre nas lições. Jane, por sua vez, achava-o mais indicado para uma de suas irmãzinhas… Jane era sobrinha-neta do rei Henrique, no mesmo parentesco que a filha da Rainha da Escóssia.

(IRWIN, pág. 41).

Em seu livro “A Alvorada do Amor de Elizabeth”,  Margaret Irwin cita um possível casamento entre Jane Grey e o príncipe Eduardo, dizendo até que ele mesmo a preferiria acima de suas outras parentes. O filme “Lady Jane”, de 1986, podemos ver uma relação quase íntima entre Jane Grey e Eduardo VI, pouco antes de seu casamento com Guildford Dudley, ou seja, em 1553; e o filme “Crossed Swords” de 1977 vai além a mostrar um relacionamento amoroso entre Jane Grey e Eduardo Tudor, mas que na realidade era um mendigo se passando por ele. Outras adaptações do livro “O Príncipe e o Mendigo” trazem Jane Grey e Eduardo como realmente próximos, mas como amigos, com Jane ajudando-o em suas lições.

No entanto, enquanto era vivo, Henrique VIII nunca expressou qualquer interesse em um potencial casamento entre Jane Grey e seu filho e único herdeiro Eduardo. Uma vez que ele, ao contrário de boatos, tinha uma boa saúde quando jovem, era mais do que provável, na visão de todos, que Eduardo fosse se casar e ter muitos filhos. Jane Grey era a quinta na linha de sucessão para a coroa, e embora os primos possam ter sido próximos devido à sua educação calvinista, é extremamente improvável que o filho do rei fosse se casar apenas com uma prima.

Acredita-se que os pais de Jane haviam passado sua tutela para Thomas Seymour para que ele pudesse tentar um casamento entre Jane e Eduardo. Sabe-se que Thomas invejava seu irmão Eduardo, que era Lorde Protetor do rei e tinha maior controle sobre ele. Talvez ele pensasse que, se conseguisse um casamento entre o rei e Jane, ele poderia ter mais controle sobre o rei, tendo consequentemente mais poder e riquezas. Existem dúvidas se  tal plano existiu, mas é fato que John ab Ulmis (também conhecido como John Ulmer, era um estudioso da Universidade de Oxford mantido pelo pai de Jane), escrevendo da  casa de Jane, Bradgate, em 29 de Maio de 1551, acreditava que Jane estava para “ser dada em casamento para a Majestade o Rei”. Infelizmente para a família de Jane, tal plano não deu certo pois ela acabou se casando com Guildford, filho de John Dudley, Duque de Northumberland.

Além do mais, não havia motivos para que Eduardo se casasse tão jovem, pois ninguém esperava que ele morresse cedo. Se casar com Jane Grey seria excluir a opção de fazer uma aliança externa mais prestigiada e favorável em algum momento mais tarde em sua vida. Se houve, em algum momento, a visão favorável de um casamento entre Jane e Eduardo com certeza foi quando ele já era Rei, mais possivelmente quando estava com 15 anos, uma idade que mesmo naquela época era considerada como muito cedo para se casar. Apesar disso, precisamos nos lembrar que a Inglaterra havia falhado na negociação de um casamento entre Eduardo e Maria Stuart, rainha da Escócia, quando esta ainda era bebê, e outros países católicos como a Espanha, a França, a Itália ou Portugal nunca iriam concordar que suas herdeiras se casassem com um rei protestante. O máximo que sobraria para Eduardo seria uma mulher da Alemanha, Saxônia ou Dinamarca; países conhecidamente protestantes. Ou seja, não havia, de fato, muitos casamentos estrangeiros fabulosos disponíveis para o jovem Eduardo.

Dessa forma, podemos pensar que havia um certo desespero para encontrar uma esposa protestante para um rei protestante que gerasse herdeiros protestantes. Ele, sem dúvida, poderia ter se casado com Jane Grey, mas entre uma prima e uma Duquesa ou Condessa estrangeira protestante, que poderia lhe dar uma aliança, mais terras e dinheiro, certamente a escolha seria para a mulher estrangeira.

Bibliografia:
IRWIN, Margaret. A Alvorada do Amor de Elizabeth. Tradução de Inah Ribeiro e Oliveira Ribeiro Neto. São Paulo: Editora do Brasil S/A.
Henry VIII’s interest in marriage potential of Jane Grey. Acesso em 8 de Junho de 2015.
Edward VI and Jane Grey. Acesso em 8 de Junho de 2015.

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Foto da Semana #294

David Broughton-Davies como Henrique VIII no documentário Henry VIII and His Six Wives de 2016.

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